Alaska Turismo
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O que você imagina quando ouve falar em Alasca? Um lugar inóspito, habitado por esquimós, coberto de gelo e neve por todos os lados e castigado por temperaturas abaixo de zero a maior parte do ano? Tudo isso pode ser verdade mas é muito pouco para definir um dos lugares mais incríveis do planeta. »»»
Com uma área de 945 mil quilômetros quadrados e menos de 620 mil habitantes, não é difícil ter esta visão da última fronteira da América. Conhecido como a "terra dos contrastes", o Alasca esconde riquezas e diversidade com vários ecossistemas como tundras secas, florestas úmidas, geleiras e até um deserto com dunas de areia. No verão o sol brilha durante 24 horas; no inverno, nenhum fio de luz nas regiões mais ao norte do estado.
Abrangendo uma área que vai do Círculo Polar Ártico às margens da baía de Kachemak, o 49º e maior estado norte-americano é recheado de características geográficas interessantes e, principalmente, inusitadas. Um lugar sem fronteiras com qualquer outro estado do mesmo país, com mais de 120 milhões de acres de florestas e apenas 1% do território habitado.

Inusitado é pouco
Quando em tempos de guerra o Japão invadiu as Ilhas Aleutas, em 1943, e 140 mil militares se estabeleceram no Alasca, o governo americano foi obrigado a construir uma rodovia que ligasse o Canadá a Fairbanks (região central do estado). Acredite ou não, hoje, 55 anos depois, a Alaska Highway, como foi chamada, continua sendo a única estrada que liga o Alasca aos outros 48 estados dos Estados Unidos. Porém, o que mais impressiona em toda esta história é que o maior território americano só possui oito estradas pavimentadas! Para se chegar à capital Juneau, por exemplo, só por ar ou mar. Terra? Nem pensar!
E os números e dados inusitados não param por ai:
- Dos 20 picos mais altos dos Estados Unidos, 17 estão no Alasca - inclusive "a montanha" - como é chamado pelos nativos, o Monte McKinley, a maior montanha da América do Norte.
- Além dos mais de 3 milhões de lagos, alguns com mais de 1.000 milhas quadradas e 3 mil rios (com destaque para o Yukon, 3º maior rio dos Estados Unidos, com 2.000 milhas de extensão), o Alasca é o lugar que possui o maior número de geleiras ativas do planeta. São mais de 100 mil! A maior delas, Malaspina, possui nada mais do que 850 milhas quadradas.
- Quase todas as fronteiras do Alasca estão localizadas no mar. São 6.640 milhas de costa litorânea, o que representam, incluindo as 1.800 ilhas, mais de 33 mil milhas de terras margeadas por três mares e dois oceanos.
- Mais de 70 vulcões permanecem ativos no Alasca e, os terremotos, de vez em quando também abalam a região. Em 1964, um deles atingiu em cheio a porção central, chegando a uma intensidade de 9.2 na Escala Richter.
Como chegar
Cinco companhias aéreas possuem vôos regulares para Anchorage: Alaska Airlines, Continental, Delta, Northwest e United. Partindo de Los Angeles, a tarifa fica em torno de US$ 400. Uma opção interessante é chegar ao Alasca pelo mar. A viagem é indescritível! A Alaska Marine Highway System oferece este serviço partindo de Bellingham, estado de Washington, até a capital Juneau. No verão é possível encontrar várias opções de saídas e chegadas.
Devido às enormes distâncias, locomover-se dentro do Alasca não é tarefa muito fácil. A maioria das estradas não é pavimentada e quase todas as locadoras de carro proíbem que os veículos trafeguem em condições off-road. A Dalton Highway é totalmente proibida pelas locadoras locais devido aos perigosos "pedestres" do lugar: alces, ursos e quem sabe o que mais. Para andar sem problemas por qualquer local no Alasca, o melhor a fazer é alugar um carro em Seattle e ir até Anchorage.
Quem gosta de uma boa viagem de trem no melhor estilo art déco, pode se informar com a Alaska Railroad, que possui ligações férreas para Seward, Anchorage, Denali National Park e Fairbanks.
Mas, para ir fundo e conhecer melhor tudo o que o Alasca possui, o melhor é voar em direção aos refúgios mais selvagens, as florestas nacionais e outras maravilhas escondidas.
Temperatura
Frio. Esta é a forma mais fácil de se definir o clima no Alasca. Dependendo da região então, este frio pode se transformar em MUITO frio! Na cidade de Barrow, ponto extremo norte do estado, a média anual fica na casa dos -17ºC, sendo que no inverno, quando a coisa fica realmente séria, os termômetros podem chegar a -33ºC. O lugar mais quente, Kodiak (localizado em uma ilha do Pacífico chamada Kodiak Island), consegue chegar a uma média anual de 1,2ºC e no verão bate o recorde de temperatura com "elevadíssimos" 11ºC.
Em várias regiões do Alasca, quando o sol nasce no início de maio, ele não se esconde mais durante os três meses seguintes e, nesta época, é possível ver de perto o famoso "sol da meia-noite". Quando em meados de novembro ele se põe, tais regiões ficam em escuridão total durante dois meses a fio... Nenhum raio de luz, nenhum dia de sol.
Por tudo isso, é fácil imaginar que o verão (junho a agosto) é a época ideal para uma visita. As temperaturas alcançam 35ºC no interior do Alasca.
Uma visita no inverno (dezembro a fevereiro) pode parecer loucura, mas dependendo do que você está disposto a enfrentar, quem sabe não pode ser uma aventura e tanto. É possível ver de perto a "Aurora Boreal", um fenômeno incrível em que faixas de luzes amarelas, verdes e vermelhas dançam silenciosamente pelo céu: para os esquimós, uma manifestação do espírito dos mortos. Para os cientistas, descargas elétricas nos céus, provocadas pela atração que os pólos magnéticos da Terra exercem sobre os átomos. Já imaginou? Temperaturas na casa dos -20ºC e noites que duram 24 horas?
Onde ficar
A cidade de Anchorage é uma das mais visitadas no Alasca. Além de ser a mais acessível, fica bem no centro das principais atrações do estado. Hotel é o que não falta! Das tradicionais redes americanas como Days Inn e Holliday Inn a hotéis luxuosos, as opções são muitas e para todos os bolsos.
Apesar de a maioria das pessoas pensar que no Alasca só existem esquimós, iglus e ursos polares, as principais cidades do Alasca são como qualquer outra cidade americana: muitos restaurantes, bares, shoppings e diversão.
O que fazer
Atração é o que não falta no Alasca. São 8 Parques Nacionais que ocupam mais de 41,5 milhões de acres. O mais conhecido e visitado é o Denali National Park and Preserve que, além de paisagens deslumbrantes, abriga o misterioso Monte McKinley, a montanha mais alta da América do Norte, com 6.157 metros.
Na porção oeste, um lugar imperdível é o Katmai National Park and Preserve. Formado em 1912 por uma das mais violentas erupções vulcânicas da era moderna, o lugar possui uma das visões mais inusitadas do planeta.
No sul, o Kenai Fjords National Park é o menor Parque Nacional do Alasca mas, em compensação, um dos mais bonitos e visitados. O lugar é uma espécie de "labirinto", com fiordes que avançam pelo Golfo do Alasca, formando centenas de baías e cavernas no mar. Um visual imperdível.
Quem prefere algo mais selvagem não pode perder o Gates of the Artic National Park and Preserve. Com o nome extremamente sugestivo de "Portão do Ártico", o parque fica localizado a poucas milhas do extremo norte do Alasca.
Alguns nativos consideram que o Alasca só começa onde terminam as estradas pavimentadas. Se isso for verdadeiro, o Gates of the Artic é o verdadeiro Alasca. Apesar de ser um parque nacional, não possui nenhuma estrada de acesso pavimentada. A melhor forma de chegar é pelo ar e, devido à localização extrema, visitas só no verão!
Ainda na região norte e não menos selvagem, o Kobuk Valley National Park é o parque nacional com o menor número de visitantes de todos os Estados Unidos. Não por falta de atrativos ou belezas naturais, muito pelo contrário, mas sim por ser considerado um dos lugares mais inóspitos do planeta. O famoso escritor americano John Mc Phee, acostumado a viajar pelos mais longínquos lugares, em seu livro, Coming into the country, descreveu o Kobuk como um dos lugares mais loucos, isolados e selvagens que teve a oportunidade de conhecer. Cercado por florestas e tundras, neste parque é possível até encontrar gigantescas dunas de areia, em pleno Alasca!
Na região sudeste, próximo a capital Juneau, o Glacier Bay National Park and Preserve é considerado um verdadeiro laboratório natural para o estudo da formação de geleiras. Só para se ter uma idéia, em 1794, quando o Capitão Vancouver navegou toda a costa do Alasca, esse lugar ainda nem existia. De lá para cá, a taxa de degelo tem sido tão grande que, de tempos em tempos, novas porções de terra e baías se apresentam, fazendo com que plantas e animais da região passem aos poucos a habitar o lugar. Segundo os cientistas, Glacial Bay é ainda um resquício da Era Glacial.
Já na região sudoeste do estado, o Lake Clark National Park and Preserve tem como sinônimo a diversidade. Com geleiras, vulcões, montanhas, rios selvagens e lagos cristalinos é, sem dúvida, um dos lugares onde a "mãe natureza" caprichou.
Por último, o Wrangell-St, Elias National Park and Preserve, localizado na região centro-sul, é famoso por ser o maior parque nacional de todo os Estados Unidos, seis vezes maior do que o já robusto Yellowstone. Por isso mesmo, a melhor forma de conhecê-lo é voando: são mais de 150 geleiras, inclusive a maior de todas, Malaspina, dezenas de rios e ainda enormes cadeias de montanhas. A vulcânica Wrangells St. Elias, por exemplo, possui as mais altas montanhas de costa do mundo.
Depois de conhecer cada região e descobrir a quantidade absurda de riquezas naturais do Alasca, não é difícil imaginar que atividade é o que não falta por lá. Lá vão algumas dicas:
Caminhada
Ao invés de seguir a trilha dos milhões de visitantes que o Denali National Park recebe anualmente, o melhor a fazer é tentar uma série de caminhos alternativos, bem mais difíceis e selvagens, que levam a pontos incríveis, onde é possível avistar o imponente Monte McKinley.
Caiaque
Graças aos esquimós, o caiaque é uma atividade muito popular no Alasca. E, dependendo de onde é praticada, pode se transformar em uma aventura e tanto.No Parque Estadual Wood-Tikchil , região sudoeste, é possível encontrar os percursos mais inusitados e perfeitos como os lagos cristalinos Nerka, Kulik e Beverly.
Montanhismo
Com uma latitude de 68º N, Brooks Range é a cadeia de montanhas mais ao norte do planeta. Talvez por isso, poucas pessoas se aventuram a explorar essa região. Até os ursos do local são inusitados... Ao invés de pescar salmões, eles atacam qualquer coisa que possa se transformar em refeição, inclusive montanhistas. :-O
Mas, apesar de todo esse ambiente hostil, o lugar é parada obrigatória para os amantes de boas escaladas. A região conhecida como Arrigetch Peaks possui um dos melhores picos de toda a América do Norte, maravilhosas pedras de granito e rochedos verticais.
É claro que é impossível falar em escalada no Alasca sem citar o Monte McKinley. Para fugir do perigo das avalanches, o ideal é deixar para se aventurar nos meses de maio e início de junho. A maioria dos montanhistas voam de planador da cidade de Talkeetna e aterrissam a 2.272 metros, na geleira Kahiltna, para começar a escalada, que pode levar de 15 a 30 dias.
Bike
A oeste do Denali National Park, mais precisamente na cidade de Iditarod, começa uma das melhores e maiores trilhas do mundo para mountain-bike. Atravessando florestas, tundras, rios, cruzando com ursos e tudo mais que o Alasca oferece, a Iditarod Trail possui nada mais do que 1.688 km de extensão.
Rafting
As montanhas vulcânicas do Wrangell-St. Elias National Park acabaram desenhando as mais perfeitas e radicais vias para rafting de todo Estados Unidos. Destaque para o rio Tana, classificado oficialmente como Classe IV+.
Off-road
Se aventura e experiências intensas são o seu forte, aproveite a chance de experimentar um fantástico off-road e, de quebra, chegar a um dos parques mais inóspitos do Alasca. Pela Dalton Highway, que de highway não tem muita coisa, você pode chegar ao ponto mais ao norte de todo o sistema rodoviário americano.
Construída há 20 anos como um suporte para a implantação do oleoduto Trans-Alaska Pipeline, a rodovia é totalmente sem pavimentação, coberta de buracos e ainda atravessa algumas das regiões mais desertas do Alasca. Sem dúvida, uma aventura e tanto.
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